Se quiser participar, é só mandar um e-mail pra organizadora em juliadantas@gmail.com pra combinar uma data pro teu relato. Os participantes estão em Porto Alegre ou abandonaram a cidade temporariamente para a quarentena.

17.12.20

Dia 275: por Victoria M. Soares

Nascimento do filho da pandemia
Reflexão sobre a importância da literatura 

No fundo sempre quis partilhar as ressignificações me fizeram evoluir como pessoa, devolver ao mundo toda essa maravilhosidade que através das letras ele me presenteou.  

O filho da pandemia esteve em processo de concepção por 33 anos, como em um casamento, passei pela fase do conhecimento, do namoro, compromisso e finalmente eis que me vem esta luz. O filho da pandemia é a percepção do quão importante é a linguagem escrita. Ao lermos, degustamos grafemas, brincamos com fonemas, damos sentido a palavras e frases. Ler é misturar nossas percepções com as de outros que também através de suas vivências vem compartilhar com o mundo suas experiências. O filho da pandemia vem para iluminar e esclarecer sentimentos, ao escrever pensamos duas vezes, três, quem dirá até quatro.

Há nove meses que isto tudo começou. Ficar mais em casa, buscar os nossos prazeres, sem precisar do outro. Neste período, lembranças de meus primeiros momentos literários vieram à tona, ainda no quarto ano do ensino fundamental, lembro das emoções vividas junto a jovens (na época com minha idade) perdidos em uma mina de ouro. A narrativa da autora é minha primeira lembrança do despertar para a literatura. Depois veio a feminista Marion Bradley Zimmer, o fantástico mundo de Harry Potter, os mistérios de Sthepan King e tantos outros artistas que fizeram meu coração. Em muitos momentos da minha vida me senti só em termos de ideias, me pareceu que os personagens seriam companhias muito mais proveitosas que as que a vida me oferecia, e isto no final das contas se provou uma verdade divina. É sobre o deleite e encanto da leitura e da escrita que eu quero falar. 

Como educadora tenho o costume de rever os aspectos positivos de minha formação justamente para que somado às teorias, meu próprio conhecimento empírico (experiências)  se faça valer como forma de despertar este mesmo apreço em meus pupilos. Agradeço minha mãe por sempre me dar exemplos positivos do gosto pela leitura, certamente experienciar isto em minha infância contribuiu. Oriento as famílias com as quais trabalho da importância do exemplo, mas ninguém é melhor ou pior por gostar ou não de ler. A literatura, como o cinema, as redes sociais e outras dedicações, são uma questão de gosto e de chamado. Expondo minhas experiências, espero poder ser uma interlocutora de chamamentos. Se a fagulha da literatura acende, há de haver entrega, ao menos uma chance

Exatamente porque minhas colocações pessoais do relacionamento saudável e frutífero com a leitura seriam de interesse alheio, eu ainda não sei. Mas que me dá muito prazer a  ideia que a leitura e a escrita sejam instigadas e valorizadas por mais pessoas tenho certeza. Espero poder de certa forma encorajar relacionamentos duradouros com esta arte que me faz tão plena e feliz. 

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